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30 de abr. de 2015

Homens pagam 30% mais em restaurante em SP

O objetivo da campanha chamada Menu Injusto, é ser justo com as mulheres, que segundo pesquisas, recebem 30% a menos para desempenhar as mesmas funções no Brasil.

A ação da agência de publicidade Agnelo, em parceria com o restaurante Ramona, foi filmada por câmeras escondidas. Assista:



4 de out. de 2013

Sobre homossexualismo

Um vídeo que inova um detalhe simples sobre o assunto:



Kevin Rudd é o atual primeiro ministro da Austrália e membro do partido trabalhista (Labour Party).

A chave da 'forma espetacular' do título é o que o Primeiro-Ministro fala aos 53 segundos.

(Ainda que na tradução em português do que se segue, "It´s how people are built" como "É uma parte do que as pessoas são" o argumento seja suavizado - talvez devesse ser traduzido como "É como as pessoas são feitas").

O fato científico é que um percentual de cada espécie tem diferenças também na sexualidade - macaco gay, cachorro gay, égua lésbica, etc. - e ponto.

Mas sempre me surpreendi com os termos usados pelos próprios homossexuais, mesmo em suas associações civis: "opção sexual", "preferência sexual". Usam termos incorretos que revelam raciocínio primariamente equivocado e errado, DANDO eles próprios MUNIÇÃO ao ódio dos doentes de idéias e de caráter que os combatem !


 

4 de set. de 2013

Espaços






A partir de algumas viagens de lazer de carro pelo Uruguai e Argentina, há alguns anos me intriga diferenças nos espaços urbanos de habitação entre aqueles vizinhos e o Brasil: porque sendo tão vasto o nosso país suas terras e terrenos são tão 'apertados' ?

A quantidade de classificações de 'posse' e o número de Escrituras definitivas restrito apenas aos empreendimentos das últimas décadas me parece revelar alguma doença 'patrimonialistica' do Brasil, talvez mesmo herdada de Portugal (sabe-se que a Espanha dava instruções aos administradores de suas colônias de como as cidades deviam ser feitas, ao contrário de Portugal, que 'deixava solto').

Porque mesmo no diminuto Uruguai as casas se centram nos terrenos com amplas áreas livres à volta, enquanto nós vivemos apertados em espaços de terrenos pequenos ? Tempos atrás um primo de Porto Alegre mostrou-me sua casa em construção num condomínio de classe 'A'. Pois o recuo nas habitações não devia passar de qualquer metro e meio !

O visual caótico e estúpido agrava-se com outro enigma - porque nos nossos vizinhos se nota claramente o hábito de utilizarem projetos arquitetônicos no que constroem para viver, enquanto no Brasil não existe o hábito, os donos "projetam" eles mesmos as construções horríveis para viver com os seus ?

Assim, achei interessante o artigo reproduzido abaixo em 03.09.2013 no Jornal do Brasil - o autor, com sua vivência de Defensor Público, conta-nos de outras consequências importantes, decorrentes do atraso habitacional no nosso país:



Os puxadinhos na Lei Maria da Penha

Carlos Eduardo Rios do Amaral*

Muita gente imagina que as maiores causas disparadas da violência doméstica e familiar sejam a questão das drogas e do álcool, considerando distantes todos os outros possíveis fatores deflagradores dessa modalidade específica de violência. A grande verdade é que a questão dos puxadinhos, aqueles aglomerados de residências de uma mesma família, que vão se formando num mesmo lote, a partir da antiga casa do ancestral da família, toma conta de boa parte dos processos dos juizados de violência doméstica no país.

A própria Lei Maria da Penha, de alguma forma, faz referência a essa situação possessória: “Artigo 5º (...) I - No âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas”. E a animosidade em muitos desses sítios familiares é recorrente. Não é difícil verificar o uso de foices, enxadas e facões nessas discussões familiares. Claro, cada um tomando parte de seu parente mais próximo em detrimento do outro, mas às vezes existe certa confusão na hora de tomar partido da briga ou discussão.

Claro que esse não é um problema pelo menos inicialmente jurídico mas, sim, social. Está intimamente entrelaçado à questão da habitação no Brasil, à dificuldade da aquisição da casa própria. Tanto na zona urbana como na zona rural. É fenômeno que atinge diretamente as classes mais pobres do país. Cada ser tem a sua subjetividade. Um gosta de café com açúcar, o outro sem açúcar; um gosta de ouvir louvores religiosos, o outro gosta de montar uma verdadeira roda de pagode na sua sala; um é flamenguista apaixonado, com direitos a fogos e tudo mais, o outro detesta futebol; um adora animais e cria meia dúzia deles, o outro prefere viver longe de bichos; e por aí vai. É claro que em menos de seis meses esse local se transformará, naturalmente, em uma Faixa de Gaza. É uma bomba relógio prestes a explodir.

Não se trata de relacionar essas pessoas à bandidagem ou à criminalidade. Pelo contrário, a sua maioria esmagadora é formada de gente honesta e trabalhadora, pessoas queridas e conhecidas na comunidade. Mas, mesmo assim, o dia a dia ao lado de dezenas de convidados, agregados, parentes e familiares, misturando-se à individualidade de cada um, tem o poder de transformar qualquer local em lugar insuportável, recheado de intolerâncias e episódios de contendas familiares.

Muitos desses casos acabam indo parar no Juizado de Violência Doméstica, camuflados de violência de gênero. Quando se sabe que o pano de fundo da discussão é a insuportabilidade da vida em comum entre esses posseiros consanguíneos e afins, moradores do mesmo terreno. Do vaso de planta quebrado, passando pelo barulho do portão, até o padrão de água e energia elétrica, tudo deságua no Juizado de Violência Doméstica.

De algum modo, os juizados de violência doméstica acabam debelando a ocorrência de homicídios e outros tipos de violência nesses ambientes familiares, salvando pessoas. Tornando a Justiça presente e sentida pelos envolvidos nesses complexos imbróglios familiares. Mas a própria aplicabilidade das medidas protetivas de urgência se faz difícil nesses locais. Não ter contato, não se aproximar ou deixar de frequentar os mesmos lugares nessa situação de enlace habitacional é coisa muitas vezes problemática. O afastamento do lar fica juridicamente impraticável porque cada um considera seu cômodo ou espaço isoladamente como lar – o que de fato é.

Os casos de reincidência nesses puxadinhos são frequentes. Praticamente, muitas dessas famílias passam décadas ou mesmo o resto da vida em delegacias e fóruns. Quase todos possuem processos criminais uns contra os outros. Se um descobrir que o outro registrou nova queixa, seu adversário corre também para a delegacia vizinha, Defensoria Pública ou Ministério Público, para fazer a sua reclamação contra o parente.

O que se observa nitidamente é que o poder público não pode ficar inerte ou indiferente à questão desses puxadinhos inflamados pela violência, doméstica ou não. Deve-se conceber que o problema da habitação no Brasil e as dificuldades na aquisição da casa própria também são fatores de fomento da violência. E, assim, devem ser criadas políticas públicas para assegurar que cada família brasileira tenha um padrão social aceitável de moradia.

Carrear sempre para o Poder Judiciário a contenção dos episódios de violência nesses puxadinhos é apenas um paliativo para o problema, sempre acompanhado da eternização dessas contendas familiares. É o Poder Executivo, principalmente a nível municipal, que possui o dever de promover essas transformações sociais locais, inclusive começando pela educação de crianças e jovens nas escolas, discutindo a respeito desse aflitivo problema social, ligado ao planejamento familiar.

* Carlos Eduardo Rios do Amaral é defensor público no estado do Espírito Santo.

25 de mar. de 2013

Hugo Chavez

especial postagem a ser feita em homenagem ao grande Hugo Chavez...

coisa muy grande

1 de mar. de 2013

7 de abr. de 2009

Correspondências II



-----Mensagem Original-----
De: irmão
Para: irmão
Enviada em: terça, 7 de abril de 2009 11:41
Assunto: LCD

E assim continuam os fãs do velho LP, que fora o chiado tem som bem melhor, não é o som de latinha vagaba.
Quanto às imagens de TVs e pizzas, sou um fundamentalista : não me venham com pizza portuguesa e 'criatividades' do gênero. Pizza só de muzzarela, marguerita (com manjericão fresco), quatro queijos e olhe lá.
Não consigo ver um filme com os interruptores da parede quadrados e por aí vai. Uso uma opção que dá uma cortadinha encima e embaixo e disminui a largura das barras, sem achatar ninguém.
Os paus podem ficar mais compridos, mas não mais grossos. E o calibre é tão importante quanto o comprimento, é o que dá a sensação de 'preenchimento', muito importante pras moças.
Por falar em aliás, dia desses num restaurante de quilo a R$ 42,00 que consigo comer a R$ 9,00, no balcão de pagar, a mulher antes de mim passou pro lado do balcão deixando uma bolsinha de moedas. Eu falei "moça" duas vezes e acabei jogando pro lado dela a bolsinha.
Enquanto eu pagava ouvia ela falar pra outra : "Como eu podia imaginar que era comigo, há décadas que ninguém me chama de 'moça'".

11 de mai. de 2008

"A história das coisas"



Uma história real do consumismo mercantilista das últimas décadas. Vinte e um minutos de conscientização sobre as origens da predação do planeta e o estado em que o deixamos.

Imperdível para os sedentos de consciência.

15 de abr. de 2008

Niños de Peru




Nova sétima maravilha do mundo ? No Perú também tem muitas crianças turistas.

Bolivianinhos






Lindos bolivianinhos. Quem diria que um dia todos nos tornamos adultos...

8 de abr. de 2008

Mil vales

Visconde de Mauá, Resende - RJ

Nesta altura do campeonato, entendo que tem gente que combina com praia.
Praia é ótimo, mas minha afinidade é com as montanhas.

1 de ago. de 2007

Sol da Meia Noite


Mano,

Com minhas andanças um tanto precoces acabei por vezes aprendendo coisas na prática, dessas que não tivemos saco de estudar na escola, ou - mais provável - não nos foi ensinado.

Em junho de 1974 saímos da Suíça para a Suécia. O dinheiro estava acabando e um amigo que morava em Paris, a caminho de Estocolmo, nos havia falado que lá se podia trabalhar legalmente por três meses e ganhar uma grana que daria pro resto do ano na Europa.

A viagem de carona foi ótima, como todas. Pelo final da tarde do segundo dia, perto de Frankfurt, um cara que só falava alemão parou. Logo depois estacionou ao lado de uma cabine telefônica nos dizendo : "Ein moment". Voltou tentando dizer "home" e fomos prá casa dele.

Lá estava sua mulher e duas filhas adolescentes, que falavam inglês. As meninas ficaram excitadíssimas com aqueles dois seres um tanto exóticos que o pai havia trazido para casa. A mulher dele nos disse que era a primeira vez na vida que ele dava carona para alguém (sempre viajamos não só de casalzinho mas vestidos para despertar bons sentimentos, tão bons quanto nós éramos mesmo).

Disseram que podíamos dormir num apartamento abaixo, de outra filha que estava viajando. Ele era arquiteto e todo o prédio de três andares era dele. E que no dia seguinte podíamos seguir com eles para Travemünde, Alemanha, onde iriam buscar a filha e bem no porto do Ferry Boat para a Dinamarca.

Lanchamos pães pretos que pareciam de madeira e fomos prá varanda tomar licor e ouvir interessantes coisas da história urbana recente de Frankfurt, já que na guerra quase tudo tinha virado pó. Depois saímos de carro para ver a cidade à noite.

Viajamos o dia seguinte inteiro, pois a tal Alemanha é uma coisa grande entre aqueles micro-países. À tarde eu comentava o estranho que era nos aproximarmos razoavelmente do Pólo Norte e o calor ir aumentando, janelas abertas e o barulhão do vento quente. À tardinha nos despedimos deles (ah, que lástima não haver e-mails naquela época, e as pessoas se perderem no tempo).

Cruzamos para a Dinamarca e à tarde de novo a carona nos convidou para dormir. Bueno, visitamos Copenhague e outro Ferry pra Suécia. A fama era que lá eles não davam carona. Pegamos uma logo. Um cara todo sujo num carro todo sujo com mil tralhas sujas dentro. Era o Hokan, o maior cientista de insetos da Suécia e vinha 'de campo'. Estocolmo estava a umas 10 horas e no final - pra variar - "convenceu-nos" de que aquilo não era hora de chegar numa cidade grande e que devíamos acompanhá-lo e dormir em sua fazenda perto de Estocolmo. Era linda, a mulher dele também, todos doces simpatias. Saímos pra colher cogumelos normais, bebemos um montão de vinho e fomos dormir pela uma da manhã.

Todo este conto pra dizer que era o "Midsommardag", o solstício de verão naquele dia, e à uma da manhã o sol se punha mas não chegou a escurecer quase nada, pelas duas já nascia de novo. Assim foi meu primeiro contato com o sol da meia noite. O sono foi estranho pois o quarto não tinha cortinas - eles têm pouco tempo de sol e não desperdiçam - e adormecemos assim com um sol de oito da manhã na cara.

Saímos da Suécia no dia 20 de setembro e já anoitecia pelas três da tarde.

8 de jul. de 2007

"As invasões bárbaras"

Ainda o assunto da morte remete ao sensacional "As invasões bárbaras", filme canadense de Denys Arcand, 2003.

O trailer em francês - que dá ganas de assistir ao filme pela oitava vez :


E a parte do discurso das das atrocidades históricas para a freira assustada - legendado em português ( há tempos tenho anotado fazer uma lista de algumas delas, dia destes sai ):



Como se não bastasse, também nos deliciamos com este colírio :




"Mar adentro"

O tema da vida e da morte me conduz ao belíssimo "Mar adentro", Alejandro Amenábar, 2004.

Assista ao trailer :

"As asas da vida"


Duas partes do documentário "As asas da vida" - Carlos Cristos, médico espanhol, 47 anos, sofria de Atrofia Sistêmica Múltipla, incurável e degenerativa. Pediu a um amigo que filmasse seus momentos finais.
Serenidade, dignidade, sanidade e senso de humor até o fim. Belo.




18 de jun. de 2007

FLIP ou não FLIP ?


Depois de um mês em Visconde de Mauá, todas as sextas e sábados cheias de casais e famílias de gorrinhos e cachecóis a comer fondues, é época de FLIP, clichês mais chiques, hora de reler o quase inédito texto de Marcelo Mirisola :

AS AVENTURAS DE MIRISOLA EM PARATY
Paraty 2006
Não me convidaram para essa festa pobre. Nem a mim nem ao Cazuza. Ele porque já foi pro beleléu, eu porque sou um falastrão, e devo representar alguma espécie de ameaça ao convívio de tão ilustres, sociais e educados escribas. O mundo das letras (digo a indústria, a máquina de fazer dinheiro) é colorido, e fofo. E pode - como uma propaganda do Unibanco - , ser irresponsável, e perigoso. Da mesma forma que inventa idílios em Paraty, ajambra periferias e escritores para propagandear qualquer lugar que lhe convém;desde esse insuspeito arraial literário até alcançar o Piauí, não,não é o Estado do qual Nelson Rodrigues duvidava da existência, trata-se da "Revista Piauí" - que será - dizem... - oportunamente lançada nessa simpática Paraty sem rede de esgoto. João Moreira Salles, além de editor da revista, cineasta premiado e mauricinho lírico incontestável, é dono do banco supracitado, e patrocinador da festa. Não conheço Joãozinho Salles, nem vi a revista. Só sei dizer que devo um dinheirão de juros pros bancos. Mas nem é preciso especular para saber que a qualidade gráfica da "Revista Piauí" deve ser Suiça. E os textos... milionários. Não, também não me convidaram para escrever na "Piauí". Estou aqui - é bom avisar - na condição de escritor profissional, ou, se preferirem, correspondente de guerra. Dava na mesma se me enviassem para a fronteira da Síria com o Líbano. Meu espírito é esse. Sempre foi, é bom que se diga. O legal da história é que passarei quatro dias enchendo a cara, e flanando por conta dessa festinha caipira , e - como não poderia deixar de ser - claro, ainda vou ganhar uns trocados. Bicão mas sem perder a elegância. Quem arrumou para mim esse Spa que inclui transporte, hospedagem, fuzis, e tudo na faixa, foi o Marcelino Freire. Paraty - para mim - começou ontem à noite na Mercearia São Pedro. Um lugar em São Paulo, na Vila Madalena (para o leitor desavisado do Zero Hora) onde se faz negócios, conchavos, sexo no banheiro, fala-se bem dos amigos e mal dos inimigos e na maioria dos casos purga-se a falta de talento enchendo-se a cara até o dia amanhecer. Às vezes os autores da casa publicam antologias. Às vezes quebram o bar. Nada demais. A diferença pros outros butecos é o sanduíche de carne assada e a simpatia de Marquinhos, dono do buteco. O primeiro ítem é meio caro mas justifica o segundo; ou seja, o sorriso impagável de Marquinhos, atrás do balcão. De uns tempos pra cá, o "agitador" Marcelino Freire anda - merecidamente... - festejado no meio literário, e desfruta de camarote na Mercearia São Pedro. Foi lá que apiedou-se desse escriba nada modesto, e resolveu mandá-lo para Paraty antes de ser solicitado no sentido de arrumar-lhe um emprego, dinheiro emprestado, favores sexuais e/ou algo mais sórdido do tipo...um Jabuti. Na verdade, iria lhe pedir as horas. Só isso. Ele que insistiu na garrafa de "Periquita". Fazer o quê?
Agora estou aqui nessa cidadezinha de merda, cercado por chiliques nacionais e internacionais, pela paisagem sonífera que encantou Debret, e pedras a judiar dos meus ligamentos; ladeado por escritores "engajados"... (me pergunto: "engajados no quê? Na chatice?") e - evidentemente - atrás de uma maria-rodapé pra comer acompanhada com feijão grosso e costelinha de porco. Fiquei sabendo que não me convidaram para essa festa porque, entre uma maria-rodapé comida no almoço e um porre de cachaça seguido dos vexames de praxe, eu poderia falar ao vivo e a cores as mesmas coisas desagradáveis que estou escrevendo aqui e agora: de frente para o mar e para a bandeja de queijadinhas. Tolos. Quanto ao homenageado dessa edição, acertaram na mosca. Jorge Amado, esse xarope filhinho de papai Stálin, é o autor perfeito para se prestar homenagens; perfeito em vida e mais perfeito depois de morto. Existem autores com essa vocação. A outra categoria são os que fazem literatura pra valer. Esses dispensam homenagens. Melhor mesmo lê-los. Uma dica. Leiam "O Sobrinho de Wittgenstein", de Thomas Bernhardt. Nada a ver com esse ar civilizado de Paraty, nada, nadinha a ver com barquinhos ancorados defronte cafezinhos metidos a besta. Talvez "Árvores Abatidas" do mesmo Bernhardt tenha mais afinidade com a atmosfera de falcatrua dessa Paraty. Ora, leiam toda a obra de Bernhardt, e concordarão comigo. Penso mesmo que Jorge Amado, o "baiano profundo", não tem cacife sequer para ser a micose de unha de um Juliano Garcia Pessanha, que - a propósito - é admirador número um da obra de Bernhardt .Menos mal que esse ano tenham convidado Pessanha. A palestra dele foi a melhor coisa que podia ter acontecido nessas plagas. Para quem não o conhece, J.P, além de ganhar a vida ensinando Blanchot e Cioran para as madames de Higienópolis, é autor de um livro fundamental chamado "Certeza do Agora". A vida é simples. Os livros do Juliano esgotados.
Um esclarecimento: Maria-rodapé não é um quitute que a mãe de Thomas Mann preparava quando sentia nostalgia de Veneza, mas sim um avanço tecnológico das antigas groupies dos tempos áureos do Rock and Roll. São garotas que, em suma, dão pros caras porque eles aparecem nos jornais, ou tem uma bandinha, ou, sei lá, usam camisetas pretas, ou nesse caso específico, frequentam jornais, antologias e revistas especializadas do circuito Vila Madalena-Paraty. Ou seja, tipos descolados que assobiam, chupam e entornam uma cana ao mesmo tempo, e não necessariamente escrevem coisas que valham a pena ser lidas. Isso é um detalhe, concorda dona Zélia?
Outro detalhe é o não-cachê dos escribas brasileiros. Nossos ilustres figurantes comparecerão por conta da militância. Isto é, ou acreditam nas causas do Unibanco, da TIM ou nas causas do marqueting próprio. Que o diga Gabriel Chalita - o ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo – que, embora não tenha sido convidado oficialmente pela Flip, encarna o que os místicos chamariam de "espírito" da coisa. Chalita lançará (é o que diz o site dele) o livro de poesias chamado "Estações" aqui em Paraty. Um mimo esse rapaz. Os escritores gringos, na certa, além dos dólares (ou alguém pensa que um Christopher Hitchens da vida viaja de graça?), levarão cocares, mulatas, belos suvenires de nossa amada pátria, e lembranças dos tempos em que a colonização era somente um pretexto para arrancar nossas alminhas caipiras do respectivos couros. Depois de 500 anos, esgarçadas as alminhas, os gringos não precisam sequer de pretextos. Ninguém aqui tem coisa diferente de tubérculos no lugar do caráter, esses gringos tem mais é que se esbaldar. Viramos mandiocas. Bela festa, ainda bem que não fui convidado. Na mesa em que eu participaria – sim, meu nome foi malandramente limado pela organização do Festival - puseram um cara meio deprimido e engraçado a falar de quadrinhos, remédios e literatura. Boa performance. Claro que fiquei contrariado. E,antes que me acusem de gordinho recalcado, me antecipo. Sou recalcado porém emagreci. Esse texto tem, portanto, endereço e gênese ululantes: produto da minha pequenez e arrogância. Apesar disso, Reinaldo Moraes desembestou a tagarelar, e salvou o encontro. Felizmente dona Zélia Gattai não compareceu. Tropeçou no próprio autismo, e se machucou. Estou livre do casamento perfeito, dos causos e da lenga-lenga imortal dessa senhora. Ricardo Piglia também não veio. No seu lugar, chamaram José Miguel Wisnik. Quero estar bem longe na hora em que o professor da USP disser que o Caetano é um gênio. A velha lenga-lenga. Ah, Paraty. Ah, meu saco. Também não tenho nenhuma curiosidade em assistir a palestra de estrelas do jornalismo americano. Isso aqui não é uma festa "literária"? Não tenho nenhum interesse por apêndices ou restolhos de gênio "A" ou gênio "B". Será que a leitura da obra dos caras não é o suficiente? A mim me bastam minhas gambiarras e vaidade. Não estou nem aí com os "perfis" e eventuais entrevistas, excêntricidades e lápis apontados por fulaninho genial. Nem aqui, nem alhures. Se esses jornalistas misturam gêneros, talvez por timidez, ou algum tipo de ambição risco-zero, eu criei um estilo. Igualmente não faço diferença entre o velho e o mar, o melhor amigo, ou o barbeiro de Hemingway. Em tempo: também não acredito em biografias e na publicação de cartas de autores defuntos, acho isso de um oportunismo tosco, uma falta de delicadeza. Sobretudo não creio em "recriação". Mas creio em vampiros! Lilliam Ross, a famosa editora da New Yorker, está evidentemente puxando a sardinha para o lado dela. Independente do charme e do talento dessa senhora e de seus assemelhados, eles, a meu ver, jamais passarão de coadjuvantes. No máximo - e com muita boa vontade - eu diria que são fofoqueiros chiques. Bobagem da senhora Ross afirmar que o "romance-reportagem" remonta a uma tradição que vem de Daniel Defoe. Um livro - independente do gênero - se for bom,não precisa de alvarás para existir. Tanto faz se o autor é cozinheiro, alpinista, caixa de supermercado,ou um jornalista paparicado por seus iguais. Esse argumento é fajuto e facilmente contestado pelo simples fato de que na época em que Daniel Dafoe escreveu "Diário do Ano da Peste" ele, antes de ser comerciante, dono de jornal ou qualquer outra coisa, era um ESCRITOR, e o "Novo Jornalismo" era uma balela a ser inventada muitas décadas depois para dar um verniz a jornalistas bem-sucedidos metidos a estrelas de festa de pobre. Minha arrogância e vaidade não são nada perto da timidez ambiciosa dessa gente. Tenho que ser grosso e bater forte nesse caso. Isso aqui, caro leitor, é um serviço de utilidade pública. Um aviso para garotões sarados da nossa imprensa não se meterem a besta. Talvez não tenha utilidade alguma. Quem sou eu? Se um Daniel Piza da vida cismar que reinventou Machado de Assis, ninguém - nem a justiça que livrou a barra de Pimenta Neves - irá segurá-lo. Quem avisa amigo é. A única coisa animada nessa cidade é a arquitetura brega de um Supermercado que destoa da monotonia da paisagem e das vendinhas furrecas que o cercam. Devia chamar Supermercado Companhia das Letras (leia-se Unibanco). Seria a única coisa honesta que eventualmente poderia acontecer nesse lugar. João Ubaldo Ribeiro entendeu o safári que era isso aqui,e declinou do convite. Ou ainda. O vaivém de artistas e gente metida a artista para cima e para baixo é uma invenção dessa editora-agência bancária para promover seus autores, e futuros devedores. Nada mais do que isso. Foi assim até a segunda ou terceira edição. O negócio cresceu, a mídia mordeu a isca, e já estava dando muito na cara. Não podia ficar desse jeito. Aí convidaram uma enxurrada de pangarés de outras editoras, rappers, caetanos, chicos e tipos afins metidos a escritores para animar a festa. Até o Gugu Liberato, na segunda ou terceira edicão, apareceu por aqui. Dos "artistas", a meu ver, o animador de auditório foi o mais autêntico. Uma vez que não teve de representar nada diferente do que efetivamente faz e do que realmente é. Um palhaço sem talento no picadeiro de um riquíssimo cirquinho de horrores.

7 de jun. de 2007

Sem companhia

Acho que as pessoas que moram sózinhas não fazem comida porque se sentiriam como o Dave no 2001.

Correspondências


São deliciosas leituras as correspondências de grandes escritores com seus amigos. Registro uma recém trocada com meu irmão, em luz de monitor - que nunca virarão inocentes folhas de papel envelhecido.
-----Mensagem Original-----
De: irmão
Para: irmão
Enviada em: quarta-feira, 6 de junho de 2007 15:05
Assunto: gerais

Mano,

Fiz o joguinho e mandei para uns amigos, falta muita ou total sensibilidade nas máquinas, elas só executam rapidamente as coisas. Comigo, por duas vezes ele não chegou ao fim no objeto ou coisa que eu havia pensado, e, depois, fica dizendo que metal não é mineral, que baleia não é comestível, e assim vai... legal, mas fraco por ser mecânico. Conheço um de cartas ou números com umas 48 variáveis que se faz de cabeça, eliminando por perguntas e se chega exatamente a carta ou ao número que a gente pensou por exclusão como este, e sem erro, é o que deve ter originado este ai, que com um número enorme de variáveis se confunde e erra. Hoje está se atribuindo muitas coisas à informática, mas não é bem assim, tal qual aquela de números que me mandaste, aquilo é milenar e árabe, como sabes, só que com pirâmides coloridas, musiquinhas ao fundo etc..etc.. no final uma assinatura de fulana de tal... É válido somente para a relembrança.
Carro na rua: - Não deixo um minuto que dá azar. Domingo fui almoçar na minha filha, tomei um uísque e fui dormir, na rua tudo deserto, a tarde linda, quando voltei para casa notei que o carro estava aberto, mas, não tinha desaparecido nada, inclusive talões de cheques no porta-luvas permaneciam, tudo bem. Três dias depois fui colocar algo no porta malas e me apoiei no estepe e não tinha mais, zero quilômetro, nunca rodado. São especialistas, abrem o carro, vão direto ao estepe e levam somente ele, fica o macaco, a porca, o triângulo e até se tiver outras coisas, permanecem como estão, comprei outra usada por 100 pila.

Abraços do irmão
De: irmão
Para: irmão
Enviada em: quinta-feira, 7 de junho de 2007 17:43
Assunto: Re: gerais

Boa análise das tentativas cibernéticas.
Até agora de longe o principal efeito desta coisa foi aumentar desemprego com computadores, robôs, etc. E a concentração de renda.
Lembro de rever, anos atrás, um filme do Hitchcock em que o cara trabalha numa seguradora. A cena do lugar é incrível : igual a um ginásio coberto, as salas dos chefes ao redor e acima, ligadas por uma varanda aberta. No piso de área enorme, centenas de mesas e pessoas, cada uma com sua máquina de escrever. Lembro que nas mesas vazias a máquina estava em pé.
E pronto - alguns bits e todos perderam o emprego. Que maravilha a modernidade ! Tem gente que acha ótimo, claro que entre os humanos gostar da situação requer apenas e tão somente (êpa) estar ganhando bem. Veja-se como votam os americanos, por exemplo, só importa estarem podendo consumir.

A dos números era muito bonita. Eu não conhecia, ao menos deste modo como fizeram na apresentação de slides. Não gosto de matemática, mas como muitas coisas do universo, é uma óbvia manifestação de que se dizer que 'não se acredita em deus' é uma afirmação relativa, ou então o cara é um poste ou uma porta. Sábio acho que é não se acreditar no deus das religiões cristãs, rebaixado a gerente de lanchonete, que fica lá encima debruçado no balcão só dando esporro nas pessoas, tipo "êpa, tira a mão daí".
Já tudo que existe só vem a comprovar que a gente é piolho, que existe ALGO muuuuuuito superior, que pode até ser simplesmente eletricidade. Mas que a gente é piolho é, ainda que até estes piolhos sejam uma obra magnífica.

A coisa dos carros é interessante. Claro que é uma merda se viver num país assim (retornando ao assunto inicial, 99% dos ladrões, se houvesse emprego, prefeririam ter um, com uma casinha, uma mulherzinha e uma filhinha, morrer de velho e não antes dos trinta).
Interessante porque, por outro lado, estive pensando que sempre tive muita sorte - de verdade em batidas, nunca dei uma e só levei duas em uns 37 anos "governando autos", como diziam os velhos dessas bandas. Tu deves ter números maiores porque és muito agressivo dirigindo, desde a 'pechada' com o Austin na esquina do Avenida. Lembro que a grade de antimônio se quebrou toda ( uau, antimônio niquelado ! )

As famílias também são interessantes. Acho que a grande maioria é gente boa, que não tem iniciativas de fazer mal 'ao próximo'. Conversando com um parente idoso aí, ele comentou sobre o pai e mãe, que o namoro deles e o casamento encantou a todos, porque os dois eram pessoas excepcionalmente boas e doces ( até um pouco demais, não ? Provavelmente por causa da religião, um atraso de vida ). Assim, nós todos irmãos somos boas pessoas.
Ter sido casado com uma pessoa boa, ter tido um filho igual, acho que foram as melhores coisas da minha vida.

Bueno, tá ficando filósófia demais prum feriado tranqüilo, né ?

Abraço ao meu bom e estimado irmão.

21 de abr. de 2007

Desenvolvimento

Se o país se desenvolvesse, acho que algum dia Pântano do Sul em Floripa seria assim.
Ou seria Pedra de Guaratiba, no Rio ?

Outro dia comentei com alguém que as favelas cor de tijolo do Rio eram uma homenagem à Votorantim e o cimento caro do Brasil. Ele falou que os do tráfico não deixam que se reboque e pinte as casas para não haver referências. Não sei.

Mas lembro do Ciro Gomes ministro da fazenda do Itamar esbravejando zerar a alíquota de importação de cimento da Hungria ou sei lá de onde, por uns 20% do nosso preço, que não rolou, o cara é bom de esbravejar mas não respeita a mulher dele e é autoritário além da conta. Além de psico-auto-destruidor.

O que rolou na nossa vida foi o bobão-honesto do Itamar chamando o príncipe dos sociólogos, o tal fhc, que almejava - obedecendo aos seus mais profundos, primários e sonsos instintos - apenas qualquer embaixada no circuito 'Elizabeth Arden' [ perfume barato daqueles tempos ]: Roma, Paris, Nova Iorque.

A seguir só rolaram novas armadilhas inteligentes (a do Collor foi nova-primária), a partir da dificuldade dos pobres com aritmética (o milagre do Real), e a do Lula com a oficialização da compra-de-votos via Bolsa não sei o quê.

Ah, na viagem desse post também me ocorreu - a propósito da Votorantim/Antonio Ermírio - do quanto os paulistas se indignam com corruptos do governo, e do quanto relevam qualquer fato que diga respeito aos corruptores.


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"A vida é muito curta para se ter o trabalho errado"

14 de abr. de 2007

As palavras e as coisas

Adorei o artigo do grande Emir Sader, abaixo reproduzido. Mas quando crescer ( ou na próxima encadernação ) quero muito conseguir sentir os fatos da vida que nos arrodeia de um modo equilibrado, sem pensar logo "Cambada de filhos-da-puta !", "a porra do dinheiro é que manda sem nenhuma desfaçatez !"
Mas aí leio os comentários e constato que aparentemente a maioria é 'contra'. Então tento refletir do alto das tantas décadas : "que côsa estes humanos, o pessoal que engole redondo as putarias da imprensa ( e fica repetindo no trabalho no dia seguinte, e-ou nos encaminhamentos de imeius pros amigos ) não é necessariamente nascido em berço esplêndido, a maioria apenas repete o que ouviu dos pais ( em geral - maioria - fudidos e explorados )".
O zen ômetro estoura em 0,1 e encerro tanta reflexão : " Medíocres safados, ao paredão com todos eles, que se enforquem uns nas tripas dos outros !"

Feitas para designar as coisas, as palavras podem perfeitamente escondê-las. Não fosse assim, o enunciado de algo desvendaria o seu significado. Mas quem trabalha com palavras sabe das armadilhas que elas podem conter. Elas podem se prestar para manipulações ideológicas. Vamos abordar um caso muito significativo e difundido nos discursos contemporâneos, reproduzidos usualmente pela mídia.
Um jornalista holandês aborda a utilização de algumas palavras para se referir ao conflito entre Palestina e Israel, e como elas revelam operações ideológicas que precisam ser decifradas. Joris Luyendijk usa exemplos da cobertura desse conflito para demonstrar como a forma pela qual se denominam as coisas imprime imeditamente um caráter ao noticiário e ao sentido mesmo do conflito.

Devemos usar “Israel”, “entidade sionista”, “Palestina ocupada”? “Intifada”, “novo Holocausto”, “luta de independência”? Os territórios são “questionados” ou “ocupados”? Devem ser “cedidos” ou “devolvidos”? Trata-se de uma “concessão” se Israel chegar a cumprir as decisões de tratados internacionais que caracterizam os territórios como ocupados e que devem ser devolvidos?

Não há palavra neutra, diz ele. E nos convida a um exercício de múltipla escolha, diante da notícia de uma agência internacional:

“Hoje na Judéia e na Samaria / nos territórios palestinos / nos territórios ocupados / nos territórios disputados / nos territórios liberados, três palestinos / inocentes / terroristas muçulmanos foram eliminados preventivamente / brutalmente assassinados / mortos pelo inimigo sionista / pelas tropas de ocupação israelenses / pelas forças de defesa israelense.”

Reescreva como lhe parece que deva ser dada a notícia e eu te direi quem és, qual a visão que tens do conflito, das forças que se enfrentam e, ao mesmo tempo, das agências de notícias e da imprensa que reproduz suas versões.

E Joris se pergunta: por que um judeu que reivindica a terra que foi foi dada por Deus é um “ultranacionalista”, enquanto que um muçulmano que pensa da mesma forma é um “fundamentalista”? Por que um governante árabe que escolheu uma política diferente daquela dos ocidentais é um “anti-ocidental” e um governante ocidental que escolheu uma política diferente daquela dos orientais não é chamado de “anti-oriental”? Alguém já viu um líder político estadunidense ser chamado de “radicalmente antiárabe”? Já viram o governo Bush qualificado de “um governo radicalmente antiárabe”?

Um dirigente israelense que acredita no diálogo é chamado de “pomba”. No entanto um palestino que acredita na mesma via é chamado de “moderado”, para dar uma idéia de que a violência se instalou no coração de cada palestino, com alguns dentre eles conseguindo “moderar” essa natureza profunda. E enquanto Hamas “odeia” Israel, nenhum partido ou líder israelita jamais “odeia” os palestinos, mesmo quando pregam sua expulsão. Neste caso trata-se de uma “limpeza étnica”? Ou de uma “deslocação involuntária”? Ou simplesmente de uma “transferência”?

A grande mídia ocidental não usa a palavra “ocupação!” para desginar os territórios palestinos sob controle militar de Israel. Pedem à Autoridade Palestina que modere a resistência, procurando que ela “demonstre que não fez o suficiente contra a violência”. Mas não se explica aos ocidentais o terror, a opressão, a humilhação que se esconde por detrás das palavras “ocupação”. Os correspondentes ocidentais falam dos “sangrentos atentados suicidas”, mas nunca da “sangrenta ocupação”. Os mortos isralenses – três vezes menos que os palestinos – têm nome, sobrenome, cara, família, emprego, amigos, bairro e casa em que mora, enquanto que os palestinos desaparecem sob a expressão – terroristas palestinos e outras versões afins.

Fidel Castro é invariavelmente “ditador”, não sendo chamado assim o presidente egípcio Moubarak ou o presidente paquistanês Mousharaf ou os dirigentes de países árabes aliados do Ocidente. Como tampouco os ditadores brasileiros – Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo -, todos ex-presidentes brasileiros, segundo a imprensa local.

Os canais de noticiário costumam caracterizar seu trabalho com lemas como “Nós informamos, você decide”. Mas fica claro que o tipo de informação – e de palavras para designar quem é quem em cada conflito e qual sua natureza -, condiciona fortemente, quando já não contem em si as respostas daquilo que aparentemente está perguntando.

Do : Blog do Emir Sader